quinta-feira, março 30, 2006

Para um baobá atrevido

Vez ou outra ainda me pego pensando em você e me sinto assim: meio calabresa, meio portuguesa, sem entender por qual sabor me decidir e sem saber porque a pimenta começou a arder, além das minhas papilas. Sem entender porque esse queijo anda duro, muito duro, difícil de engolir. Totalmente balança quebrada de feira, sem saber qual o lado pesa mais e sem entender porque apesar de me sentir "usada" (e sim, acho que você agiu sem dolo), sinto-me triste e feliz por sentir isso. Triste porque todos os meus sentidos humanos são contra achar isso uma coisa boa e feliz porque toda a minha burrice não-humana quer te ver feliz e acha que ter sido usada pra que o fim fosse a tua felicidade é algo que faz meu laranja brilhar, sentindo-se útil. Afinal, pra que servem os amigos, se não, para servir aos que ama. E eu te amo, só odeio essa tua idiotice de ter crescido demais e se transformado num baobá. Podia ter sido mais humilde e sido apenas um pezinho de laranja-lima. Mas, não posso negar que fui culpada, reguei você demais. Achei que podia fazer-te uma árvore feliz, mas foi apenas pretensão demasiada da minha parte. Hoje entendo que a tua felicidade está bem longe dos meus cuidados e carinhos, e sem ter nem porquê eu desejo que continues assim, frondoso e saudável, e que te façam crescer bem mais do que um dia você ousou crescer em mim.
De um cacto pretensioso.
P.S.: Tudo culpa da frigideira que teima em ser uma panela de pressão, ao invés de se aceitar como é.
Margallyne Viana Martins