domingo, maio 28, 2006

A magia do diálogo


É sempre assim, em qualquer lugar que entremos ou freqüentemos, nos deparamos com frases do tipo: “não toque”, “não mexa”. Se não posso tocar tudo bem, tenho que respeitar. Mas isso não se limita a objetos materiais, vai muito mais além. É assim entre homens e mulheres, amigos, pais e filhos, para não haver mágoa, melhor não tocar em certos assuntos. É preferível o silêncio para evitar a mágoa ao diálogo para resolução da questão. Não sei a razão das palavras incomodarem tanto. Qual a razão de não tocar em um assuntos de dez anos atrás? Por que não conversar sobre a morte de entes queridos? Por que não tentamos juntos entender a razão de você estar bebendo desse jeito? Ou de estar tão triste? Por que você não pode se abrir e dizer o que te pertubou tanto na infância? É necessário sempre se manter um passo atrás, não chegue muito perto, não acerque-se de meus traumas, não invada meus mistérios, não atrite-se com o meu passado, não tente entender nada: é proibido tocar no sagrado de cada um. Pena que esse sagrado acaba por afastar as pessoas que mais se amam. E acaba sempre assim: não tocar, não mexer, não falar, para que possa durar por muito tempo. Muito embora, vale ressaltar que, antes ter uma alta afinidade e intensidade do que durabilidade.
Chrystiane Guedes